quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Viva rápido, morra jovem

Ambientes precários, mães jovens e solteiras, pais criminosos e ausentes, filhos, muitos filhos, que repetem um padrão cruel em uma igualmente cruel roda viva. O cenário é conhecido, mas uma explicação que não se ouvirá por aí é que esse comportamento delinquente é uma resposta às circunstâncias da vida restringidas pela pobreza. Assim começa o artigo que Mairi Macleod escreveu na revista New Scientist de 17 de julho deste ano.

Mamíferos expostos a um ambiente adverso e imprevisível, suscetível a doenças e onde tendem a morrer jovens, adotam uma estratégia de reprodução rápida: amadurecer rápido, dar criar cedo e em quantidade para que se possa garantir a continuidade da espécie antes de adoecer ou morrer. Essa é a proposta de alguns biólogos evolucionistas para explicar um fenômeno que se replica em todo o mundo. Realmente, não é uma explicação trivial e altera a maneira de se tratar o problema.

Analisando os dados coletados em vários países, cientistas checaram se a idade em que as mulheres têm filhos varia com sua expectativa de vida. Os dados encontrados para os seres humanos coincidem com os dados para o padrão geral dos mamíferos: quanto menor a expectativa de vida, mais cedo as mulheres têm filhos. A pesquisa mostra algo que é perceptível em nosso dia-a-dia, os ricos têm uma expectativa de vida maior, procriam mais tarde e em menor quantidade e os pobres, que tem uma expectativa de vida menor, têm um comportamento oposto.

Outro ponto do artigo mostra que em lares onde o pai é ausente e inexiste uma relação saudável entre pai e filha, as meninas tendem a ter relações sexuais mais cedo e em consequência, filhos. nesses ambientes, o pai ou o macho geralmente está buscando sua estratégia de espalhar sua semente em um número maior de fêmeas para garantir sua descendência. A ausência do pai é ainda fonte de outros problemas. Segundo um estudo feito na Inglaterra o envolvimento do pai também têm grande influência no QI da criança e na mobilidade na escala social.

Essas explicações encaixam-se perfeitamente no que vejo nos ambientes mais pobres de nossa sociedade: adolescentes iniciando a vida sexual e gravidez bem cedo; não assumem sua responsabilidade como pais; não formam uma família no conceito tradicional de pai, mãe e filhos; as crianças são criadas pelos avós. Tudo isso como consequência de uma visão de que não há futuro e não há como mudar seu destino.

Minha prima foi professora em uma CIEP próximo a uma favela. Lá as crianças diziam que seu futuro era ficar ali na favela e trabalhar para o tráfico. Essa falta de esperança em um futuro melhor é muito cruel e desumana. Mostra que o problema não é tratado por uma política voltada para educação sexual, por exemplo. Não basta dar palestras sobre anticoncepcionais e distribuir camisinhas em postos de saúde.

A solução passa pela reforma total do ambiente, dando uma melhor condição de sobrevivência, aumentando a expectativa de vida, dando uma visão de futuro. Passa também por educação, emprego, cidadania. Pelo resgate do conceito de família. Enfim, é um problema complexo que não será resolvido por medidas populistas. Não é um problema que se resolva em uma geração. Será necessário um plano de longo prazo, com ações em diferentes áreas. Talvez as UPPs sejam um início, mas não vejo um conceito de política estruturada partindo do governo do estado e isso me preocupa.

"...de uma gente que ri, quando deve chorar e não vive apenas aguenta..."

Milton Nascimento e Fernando Brant

domingo, 30 de maio de 2010

Por que a vida é agora!

Ouço o antigo slogan do Visa da boca de um amigo. É muito sedutor. Compre, viva o agora, você tem o poder dentro da carteira. Na vida real, pelo menos para as pessoas com muita responsabilidade na cabeça e uma quantidade limitada de dinheiro na carteira, é uma tarefa difícil equilibrar o curto prazo e o longo prazo.

A tentação do imediatismo é grande, mas não consigo deixar de pensar no futuro e planejar o que fazer no longo prazo. Penso em minha aposentadoria e no quanto eu terei que poupar para que eu possa fazer o que me der na telha quando finalmente chegar o tempo de pendurar as chuteiras.

Também vivo planejando as coisas que quero fazer a médio prazo. Viagens que pretendo fazer em 1 ou 2 anos à frente. Planejo a exaustão, calculando o itinerário, a melhor época do ano para ir àquele lugar, qual o melhor roteiro, os hotéis, quanto vou gastar com cada item, o que vou comprar etc.

Viver só para o momento presente e gastar todo o seu dinheiro no consumo imediatista é algo inadmissível e irresponsável, perdulário até. Há que se buscar um equilíbrio, contudo não é tarefa fácil. É um constante exercício de negociação e repriorização de objetivos. Sofremos pressões constantemente de todos os lados e tudo conspira a favor do consumo.

Ter uma meta e ater-se a ela ajuda e é nisso que eu penso quando estou sendo tentado a desviar o caminho. Mas a família tem que ajudar e todos devem ter a mesma meta, colaborando e se ajudando a seguir em frente. É nisso que me fortaleço para manter o foco na meta.

sábado, 20 de março de 2010

REFLEXÕES SOBRE LIBERDADE E LIVRE ARBÍTRIO

Venho há algum tempo refletindo sobre o significado destes dois termos: liberdade e livre arbítrio. Comumente livre arbítrio é entendido como “o poder do ser humano, consciente, de decidir livremente” (dicionário Michaelis). Um poder que nos foi dado por Deus para direcionar nosso caminho de acordo com a nossa vontade.

Penso em livre arbítrio como algo diferente. Não seria livre arbítrio o universo de possibilidades que se nos apresenta a cada momento? Tudo aquilo que podemos fazer da nossa vida naquele exato segundo à nossa frente? Posso continuar escrevendo este texto ou me levantar e ir ao banheiro. Ou posso beber água, ou pegar uma caneta e golpear violentamente a pessoa que está sentada ao meu lado. E por aí vai.

Todos tem um livre arbítrio ilimitado, porém, cada pessoa tem o seu próprio universo de possibilidades. O que difere o livre arbítrio de uma pessoa para outra são as condições ambientais, sociais e geográficas de cada um. Um indígena que está no meio da selva amazônica neste momento não tem o mesmo universo de possibilidades do que um executivo que esteja em um prédio em São Paulo no mesmo momento.

Todavia, apesar de eu ter uma infinidade de possibilidades, eu escolho apenas uma, ou me restrinjo a algumas e descarto terminantemente outras. Eu certamente não vou golpear meu colega com a caneta, nem vou roubar-lhe a carteira. E o que faz com que eu me levante todos os dias para ir trabalhar ao invés de ir à praia sem nem pestanejar? Isso tem a ver com liberdade.

Liberdade é o que limita nossas escolhas a um pequeno grupo. Mais uma vez recorro a um dicionário: liberdade é o “estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral”. Este conceito é próximo ao de livre arbítrio apresentado pelo mesmo dicionário. Considero algo diferente do senso comum e digo que a liberdade é diferente de livre arbítrio. A liberdade implica num universo de escolhas menor que do que o livre arbítrio.

Cada pessoa tem um grau de liberdade próprio. E esse grau de liberdade impede que a liberdade de um indivíduo seja igual ao seu livre arbítrio. As possibilidades de escolha de cada pessoa são limitadas pelos valores que cada um carrega, com a ética de cada indivíduo e com sua educação. É como ir a um restaurante a peso com um enorme buffet. Os judeus, por exemplo, não vão comer carne de porco. Os vegetarianos não vão comer carne e algumas pessoas não vão comer verduras e legumes porque seus pais não lhes ensinaram a comer esse tipo de comida. A quantidade de comida é a mesma para todos que estão no restaurante, mas o que cada um escolhe varia com suas próprias crenças, valores, gostos etc.

Assim cada um tem o seu grau de liberdade e age sem pensar nisso. O que me faz acordar de manhã e ir trabalhar e não ir a praia é o compromisso que assumi comigo, com minha família e com o meu empregador. Eu acredito que isso é a atitude correta e carrego essa responsabilidade comigo. Vou ao trabalho porque quero, porque preciso e não penso em outra possibilidade.

Isso nos faz, de certa forma, escravos das nossas escolhas. Os compromissos assumidos e a responsabilidade em cumpri-los restringem nosso grau de liberdade e ficamos presos a um pequeno número de opções.

Fica a pergunta: você é livre?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O Esquisito

Pego emprestado o título do blog do me amigo Marconi para entitular este texto. Saio à rua e vejo um mundo estranho, olho à minha volta e vejo o meu avesso nos transeuntes. Caminho até o ponto de ônibus e aguardo o sinal abrir para os pedestres, atravesso e sou xingado pelo motorista que avança o sinal e quase me atropela. Saio de carro e paro no sinal em um cruzamento, não há nenhum carro à vista, mas continuo parado. Os demais motoristas buzinam e fazem manobras para contornar-me e finalmente conseguem avançar o sinal.
Tento pensar no bem comum, onde moro, mas alguns insistem em olhar apenas para o seu umbigo. Tenho que ouvir sempre: "eu quero... eu preciso...", mesmo que as regras acordadas por todos digam o contrário, sempre insistem em fazer aquilo que não se pode.
Não quero dar uma de santo, mas me sinto esquisito, um ser de outro planeta, por tentar seguir as regras. Por que será tão difícil assim seguir regras? Entendo que após o período da ditadura houvesse um período de negação daquele passado militar de disciplina e regras rígidas. Mas já se passou tempo demais.
Esquisito sigo em frente, tentando seguir o caminho do meio e ser feliz. Talvez seja isso que esteja faltando, caminho do meio.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Sobre as Festas de Fim de Ano

Sempre fico um pouco melancólico no fim do ano. O Natal é uma época de felicidade, de solidariedade, mas eu sempre acho que estou fazendo menos do que deveria pelo meu próximo. Mas eu sei que faço aquilo que posso, não dá para ajudar a todos ou abraçar o mundo. Parece que todo mundo fica bonzinho e solidário nessa época do ano. O grande desafio é tentarmos praticar o bem e ajudar ao próximo durante todo o ano e não só em dezembro.
Não tenho resoluções de Ano Novo. Para mim, todo dia é dia para uma nova resolução. Proponho uma nova abordagem, soltemos fogos todos os dias e celebremos a cada novo dia, a cada novo mês. Que todos possamos renovar nossas esperanças num mundo melhor todos os dias e não apenas no dia 31/12. Que possamos fazer nossa resolução de sermos uma pessoa melhor a cada dia e que possamos renovar nossa energia e fôlego a cada dia que recomeça. E que o espírito natalino permaneça presente em nossos corações todos os dias do ano.
Feliz Dia Novo para você.

sábado, 31 de outubro de 2009

MINI-SAIA

Saio do meu período de hibernação para constatar algo que me faz triste com a nova geração. O que acontece com a atual juventude? O que faz um universidade inteira quase linchar uma aluna que usa mini-saia? Os xingamentos em coro de "puta, puta" parecem estar fora de lugar. O local era uma universidade, local de estudo e de mentes que se supõe educadas e cultas. Essa mesma juventude não tira a bunda do sofá para protestar contra as injustiças cometidas diariamente contra o povo, ou para protestar dos políticos corruptos, ou ainda para pedir mais segurança. Resolve então, protestar contra o uso da mini-saia!
Deve ter sido o mesmo pessoal que enche a cara no sábado a noite e sai dirigindo carro colocando a vida dos demais cidadãos em perigo.
Parece que estamos de volta a idade média. Uma atitude de preconceituosa de extrema direita, só faz-me lembrar da inquisição, ou dos anos 30 nos EUA, onde o racismo fazia com que negros não pudessem estudar nas mesmas escolas que os brancos. Parece que esqueceram-se das gerações passadas, como a de 60 que lutou contra a ditadura, ou a de 80 que lutou pelas eleições diretas, ou ainda mais recente, a geração que protestou pelo deposição de Collor.
Em tempos que se mata por qualquer motivo, onde policiais roubam uma jaqueta e um tênis usado de um ladrão assassino e o libertam, ou que estudantes protestam conta a mini-saia, só me causam tristesa e desgosto com essa geração que aí está.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

MJ

Como amante de música, não posso me furtar a falar de Michael Jackson. Comecei a me interessar por música no início da década de 80 e no início tudo era pop. Eu tinha poucos discos e ouvia muito rádio, e Michael estava sempre presente nas rádios.

Penso no início da minha adolescência e não há como não vir a imagem dos video clips do álbum Thriller. Era um coisa diferente, ninguém fazia igual, e muitos tentaram depois dele. Lembro de Billy Jean tocando nas festinhas e nós tentando dançar com os pés escorregando para trás.

Era uma criatividade e um capacidade incrível de fazer música que encantava a todos. Acho que apenas Madonna rivalizava com ele.

Que sua alma descanse em paz.

domingo, 8 de março de 2009

Uma segunda-feira qualquer

São 07:00 horas da manhã, eu desço do ônibus na avenida Presidente Vargas, esquina com Uruguaiana. Vários mendigos ainda dormem na calçada imunda da Presidente Vargas. As pessoas passam e parecem não notar, não fosse pelo incômodo cheiro de urina. Apertam o passo, prendem a respiração, atravessam a avenida. Há um homem que me chama a atenção, parado, imóvel, no canteiro central da avenida. O olhar vazio, as mãos às costas, não emite uma só palavra. quase todos os dias ele está por ali, com aquela mesma pose. Qual será o seu nome? Qual será sua história? Tento não pensar nessas coisas e sigo em frente.

Continuo o meu caminho e vou driblando os entregadores de papel. Pessoas se aglomeram em frente a uma banca de jornal. Há notícias sobre futebol e mulheres seminuas nas capas dos jornais. Na esquina da Miguel Couto, mais mendigos. Parece ser uma família, os menores correm para o bar em frente e pedem comida. O dono dobas manda que fiquem do lado de fora. As pessoas respondem algo, sem nem olhar para elas, apressam-se em terminar a comida e seguem seus caminhos.

Detenho-me por uns instantes e observo a mãe com o mais novo, ele parece ter menos de 2 oanos. Ela tira-lhe a fralda e deixa-o nu. Pega uma garrafa com água e lava-o precariamente, faz frio e ele chora. Ela grita com ele e veste-o a mesma fralda com que o pequenino dormira. Ela levanta e segue para o bar. Eu abaixo a cabeça e sigo em frente. Chego a lanchonete e compro pães de queijo e mate.

Enquanto o computador carrega o windows eu como meu lanche a agradeço a Deus pelo que eu tenho. Penso naquele cara no meio da avenida. Obviamente sofre de alguma doença mental, como chegou a tal nível de degradação? Penso na hipótese que acho mais factível: abandonado pela família, qual um cão doente que não se quer mais, ou um sofá quebrado que não tem mais utilidade.

A faltar um quarto de hora para o meio-dia eu saio para o almoço. Ao chegar na rua da Alfândega vejo o senhor que está sempre por ali sentado a pedir esmolas com seu cabelo rastafari, e suas roupas sujas. Ninguém lhe ouve, ninguém lhe vê, ninguém lhe olha nos olhos. Desviam dele e do seu cheiro, como se ali estivesse um monte de merda. Ele me dirige a palavra e me pede alguns trocados, digo que não tenho, ou algo parecido e sigo em frente. Mais adiante, outra figura conhecida na região, um mendigo grandalhão que, apesar do frio, está sem camisa. Ele está parado, de braços cruzados falando incompreensível com algum amigo imaginário.

Penso nos Paralamas: "A cidade apresenta suas armas, meninos nos sinais, mendigos pelos cantos e o espanto está nos olhos de quem vê o grande monstro a se criar".

Um rapaz passa correndo e logo atrás uma senhorinha de salto alto e minisaia tenta correr pela rua a gritar "pega ladrão". Quando retorno do almoço vejo o rapaz ladeado por dois guardas municipais grandalhões e a senhorinha logo atrás.

Às 17:00h em ponto eu vou para o ponto de ônibus. Atravesso a Presidente Vargas e cruzo a fila de pessoas na espera de uma van pirata. O rapaz, que deve ser o "despachante", berra os nomes dos bairros tentando arrebanhar mais alguns passageiros. Eu entro no ônibus, fecho os olhos e tento cochilar, penso em Lô Borges (ou seria Beto Guedes?): "...e lá se vai mais um dia...".

Aconteceu em uma segunda-feira, mas poderia ter sido na terça, ou na quarta, ou...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Faz um calor infernal. Meus vizinhos se divertem à piscina ao som de uma trilha sonora que vai de rock anos 80 à Maná. O Porto joga com o Benfica na TV e eu aproveito o intervalo para escrever um pouco. Escuto Xutos e Pontapés no fone. O rock em português soa meio estranho, mas estou me acostumando.

O jornal lido está dobrado e meio amassado no porta revistas. Revistas velhas acumulam-se na estante. Um dia vou jogá-las fora. Passo a mão pelo rosto e lembro que ainda tenho que fazer a barba. O joelho não dói e isso é bom.

A autobiografia do Andy Summers está a minha frente sobre a escrivaniha do escritório. Estou gostando. Há algo de comum nas biografias de músicos que li. Autodidatas começaram sua paixão pelo instrumento que escolheram e pela música no início da adolescência. Ganharam um violão de alguém e foram autodidatas. Lembro da minha gaita na gaveta ao meu lado. Preciso voltar a tocar.

Minha filha entra no escritório e me dá um beijo. Ela já tem um tecladinho, penso em colocá-la na aula de música, mas talvez ainda seja cedo, ou não. Ela não parece se interessar muito.

Acho que o jogo já recomeçou. Daqui a pouco acabará o domingo e lá se vai meu pequeno período de férias semanais. Quem sabe eu ganho na Mega Sena.

"E lá se vai mais um dia..."
Beto Guedes

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Então é Natal...

Uma certa melancolia natalina toma conta de mim nessa época do ano. Tendo a ouvir músicas mais introspectivas, mais Morrissey, mais fado. Alguns acontecimentos recentes deixaram-me um pouco mais triste. A morte de alguns parentes, uma mãe irresponsável, uma lesão no joelho...

Mas assim como o Natal se vai, também vai a melancolia e depois do Ano Novo.

"Many rivers to cross
But I can't seem to find
My way over"
Jimmy Cliff

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O Dia da Música

No último sábado foi comemorado o dia da música. A música é a forma de arte com a qual tenho mais contato. Ela esteve presente em vários momentos da minha vida e me acompanha quase que diariamente. Não sei viver sem música e esteja alegre, esteja triste, ouço música.
Comecei com as cantigas de roda, que em minha família cantávamos quando era pequeno. Depois por um curto período não dei muita bola para música, mas lá pelos 11 anos comecei a me ligar novamente. Nessa época ouvia música pop e pop rock. Lembro que o primeiro disco de rock que comprei, foi uma coletânea chamada Flipper Hits. Lá estavam Survivor, Asia, The Gogo's, depois comecei a ouvir Madonna e Kiss.
Nessa mesma época fui atingido pelo BRock. E veio o New Wave. E o movimento Dark. E o The Police. Minha adolescência foi marcada por música e a cada vez que ouço Ska, Message in a Bottle, Charlotte Sometimes e outras músicas da década de 80, as imagens voltam a minha frente.
Ouço música triste. Já fui repreendido por isso: "O Marcelo só ouve música de cemitério". O que há com as pessoas que não conseguem ver beleza também na coisas tristes. Recentemente descobri o fado e a beleza triste da voz de Amália ou de Mariza me conquistaram. E Portugal está marcado em mim através de sua música.
Ouço música alegre. Já fui reprendido por isso: "O Marcelo só ouve música de maluco". Na explosão de som e fúria do Punk e do Grunge eu pulei, gritei e expulsei meus demônios. Nada melhor que um bom show de rock para tirar o estresse.
É com alegria que vejo como o Rio voltou a fazer parte do circuito de shows internacionais. Este ano vieram Madonna, Elton John, Diana Krall, Interpol, Muse e outros que não me lembro. Parece o início da década de 90. Espero que continue assim, para o bem dos amantes da música.

"Há uma música do povo
Nem sei dizer se é um fado
Que ouvindo a um ritmo novo
Um ser que tenho guardado."
Mariza

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Amor Platônico

Pensei que aos 37 anos de idade não fosse mais me apaixonar. Para mim isso era coisa de adolescente. Ledo engano. Apaixonei-me por Portugal.

Passados 2 meses de minha viagem a Portugal ainda tenho vivas na memória as imagens que vi por lá. Quero voltar assim que possível. E se pudesse voltaria todo ano para lá. Achei meu Maricá. É para lá que eu quero ir em todas as minhas férias. É lá que quero morar quando me aposentar, ou quando ganhar na loteria. O que acontecer primeiro.

A música de Mariza e Ana Moura me enchem de saudades do Parreirinha da Alfama e de Vila Nova de Cerveira. Espere por mim Portugal, eu volto em breve.


domingo, 24 de agosto de 2008

Vila Nova de Cerveira - Eu Fui!!!

Chegar em Portugal foi uma grande conquista. Foi como me formar na faculdade ou terminar o mestrado. A terra dos meu avós é linda, e agora também a considero minha terra. Portugal me conquistou ao primeiro encontro. Se não pela vista do Porto as margens do rio Douro, ou pela voz de Mariza, nova musa do fado, talvez pelo casario da Alfama em Lisboa e pela singela beleza de Vila Nova de Cerveira, as margens do rio Minho.

Quando cheguei em Cerveira a cidade estava em festa, com as ruas enfeitadas e banda de música tocando. Foi lá que comi o primeiro bacalhau em Portugal. No alto de um monte, uma grande estátua de um cervo, o símbolo da cidade, vigia a todos. Saí de lá bastante emocionado e com a certeza de dizer um até breve.

Em Portugal os motoristas respeitam o sinal vermelho e param para o pedestre atravessar a rua. As ruas são limpas e as praças são lindas com jardins floridos. Os monumentos estão bem cuidados e a comida é maravilhosa.

Após 2 semanas de muita alegria em Portugal, mato a saudade ouvindo os fados de Mariza. A cantora Moçambicana foi uma das descobertas agradáveis que fiz em Portugal. O álbum Concerto em Lisboa de 2006 é uma obra-prima do fado e merece ser alçado a categoria de discaço do mês.

O show faz parte da turnê do álbum Transparente, gravado no Brasil e produzido por Jacques Morelembaum. Mariza é acompanhada por uma orquestra de cordas e pelo próprio Jacques no violoncelo. Ela canta com tal intensidade que é difícil não se emocionar. Destaque para Montra, Há uma Música do Povo e a lacrimejante Ó Gente da Minha Terra. Esta última fecha o disco em grande estilo. Mariza tem uma voz linda e afinadíssima que dá ao fado a medida certa de dramaticidade.
"Ó gente da minha terra
Só agora eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que recebi"

sábado, 26 de julho de 2008

As Últimas do Emule

Acabo de baixar o show do Sting em Montreux em 2006. Ótimo show. Sting se despe da roupagem jazzística que o acompanha há algum tempo e faz um show apenas com baixo, 2 guitarras e bateria. Acredito que já se preparando para a turnê do The Police que iniciou logo em seguida, ele se apresentou com uma pegada bem rock. Seu velho companheiro Dominic Miller era um dos guitarristas, o outro eu desconheço. O baterista parece ter saído de uma banda punk. Pena que o show transmitido pela TV Suiça era cortado e não rolou na íntegra.

O show começa com Message in a Bottle e Synchronicity 2, que não coincidentemente são as duas músicas de abertura durante a turnê do The Police. Seguem ainda, Walking on the moon, Driven to tears, Every breath you take, Next to you e outras. Que conseguir baixa, vale a pena.

Outra aquisição recente é o raro álbum de Billy Duffy (guitarrista do The Cult) e de Mike Peters (vocalista do The Alarm), contando ainda com Craig Adams (baixista do The Mission) e Scott Garret (ex-baterista do The Cult). Rock'n'Roll de primeira, com sonoridade bem parecida com o The Cult. Ótimas músicas e com os riffs de guitarra bem característicos do Duffy. Heavy rain e Under the sun são pontos altos do disco. Corram atrás e fucem a internet.

Acabei procurando alguma coisa do The Alarm, li que a banda nasceu no início da década de 80 e fez parte do movimento pós-punk. Ainda influenciados por The Clash e outras bandas punk eles tinham uma postura de protesto e não raro eram comparados ao U2. Parece que ainda estão na ativa e o mais recente álbum de estúdio é de 2006. Vou tentar baixa o segundo disco, Strenght de 86.

domingo, 13 de julho de 2008

Distrações

Dois projetos têm me distraído e tomado o meu tempo e ponto de eu me desligar das outras coisas que gosto de fazer. Há tempo que eu não escrevo e até me desinteressei por televisão. Perdi o interesse por Heroes, e por outras séries. Perdi a última temporada de House quase toda.

Às vezes isso acontece, algo toma minha atenção completa e eu esqueço de tudo. É como aquela antiga propaganda do Cremogema: "eu esqueço minha bola, eu esqueço minha boneca, quando tomo Cre-cremogema-cremogema". Alguém se lembra do Cremogema?


Mas como as coisas estão retornando ao seu ritmo normal eu vou retomar a escrita. Vou iniciar hoje o espaço Discaço do Mês. Divulgarei sempre um álbum da minha vasta coleção com minhas impressões sobre o disco.

DISCAÇO DO MÊS


Absolution - Muse
Aproveitando a passagem do Muse pelo Brasil (dia 30/07 - Vivo Rio), apresento seu terceiro álbum de estúdio, Absolution. Comparado ao Radiohead no início da carreira, o Muse mostrou nesse disco que é muito mais do que um seguidor dos compatriotas. Os três integrantes tocam juntos desde os 13 anos de idade e mostram um grande entrosamento ao vivo. Com uma mistura bem acertada de rock e eletrônica, Absolution é um excelente disco. Os vocais de Matthew Belami soam apocalípticos. É esse o tema da primeira música: "...This is the end, this is the end of the world... come on is time for something biblical...". Teclado e guitarra compõe um clima dramático em "Apocalipse please" que persiste em "Our time is running out". Esta última começa com o baixo de Chris Wolstenholme e vai crescendo em dramaticidade. A bateria de Dominic Howard entra com o peso certo para compor com o baixo um poderoso conjunto. "Sing for Absolution" é um veículo para Belami soltar a voz. Melódica e lenta, Belami mostra o talento no refrão soltando o agudo.

A próxima música tem um ritmo rápido ditado pelo baixo e a bateria. Belami mostra também que é bom guitarrista e toca com ferocidade. O álbum segue em ritmo alternado, como em "Falling away with you" que ora tem momentos de calmaria e peso com mais uma vez Belami mostrando versatilidade na voz. "Interlude" é pesada e dá vontade de sair pulando pela sala. "Hysteria" parece ter saído de um disco do Radiohead no início da carreira. "Blackout tem uma ótima letra: "...You got to change the world and use this chance to be heard your time is now...".

"Butterflies and Hurricanes" é outro convite ao pula-pula com Dominic arrebentando a bateria. O disco ainda têm mais 4 boas músicas, com destaque para última "Ruled by secrecy" que fecha o disco com o peso da guitarra de Belami.

É um discaço que merece estar em qualquer estante. Infelizmente não poderei ir ao show, pois estarei em Portugal, mas recomendo a todos os meus amigos.

domingo, 25 de maio de 2008

É PRECISO AMAR AS PESSOAS COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ

Sei que o dia das mães já passou há 2 semanas, mas aí vão 3 músicas para as mães:
Mama Said - Lenny Kravitz
Mother - Pink Floyd
Mama - Genesis

Pensei em 3 músicas para os pais e confesso que só consegui pensar nas músicas do Sting em seu segundo álbum solo "The Soul Cages". Acho que essa separação entre dia das mães e dia dos pais só é boa para o comércio. Deveria haver um dia da família, para dar um sentido de união. Família é um conceito em esquecimento hoje em dia.

Neste fim de semana prolongado, passei com minha família num lugar que tem sido uma referência em nossa vida por 30 anos. Um sítio na região dos lagos cercado de verde por todos os lados. Um lugar de onde tenho as mais agradáveis lembranças da vida em família. Foi numa manhã de sábado de carnaval quando estava a caminho de lá, que recebi a notícia de que tinha passado no vestibular. E foi lá que comemorei com minha família essa conquista.

Pois chegou a hora do adeus, o sítio foi vendido e em breve seu novo dono tomará posse. Sinto-me como se dissesse adeus a um membro da família. Sinto-me triste por não tê-lo visitado mais vezes. Estou triste por que meu pai, que gostava tanto de lá, não está aqui para dizer adeus.

As vezes esperamos alguma data especial para visitar alguém ou celebrar com grandiosidade um aniversário de algum amigo, mas a verdade é, para que esperar? Porque não comemorar qualquer data? Por que não comemorar simplesmente o fato de sermos uma família e nos juntarmos a qualquer hora?

Ainda sinto o cheiro da grama molhada de orvalho de manhã. Sinto o gosto das mangas que colhíamos no verão, do caldo de cana feito na moenda e da água de côco. Lembro das cãibras na panturrilha após o futebol e das reclamações de um tio que só sabia vencer. Lembro do meu pai e os bons momentos que passamos lá. Sentirei saudades deste lugar que só me traz boas lembranças.

"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, por que se você parar para pensar... na verdade não há."
Legião Urbana

domingo, 27 de abril de 2008

O Cavaleiro das Trevas

"Onde está a dor? Eu deveria ser uma massa de músculos exaustos e doloridos... fracos, desgastados, incapazes de se mover. Se eu fosse mais velho, com certeza estaria assim... mas hoje eu sou um homem de trinta anos... não, vinte. A chuva em meu peito é um batismo. Eu nasci outra vez."

Na HQ mais dark e sombria que já li, o Homem-Morcego retorna de sua aposentadoria em uma Gotham City decadente, dominada pelo crime, a mercê de políticos corruptos, esquivos, omissos e fracos. A opinião pública se divide sobre a atuação do Batman, enquanto os políticos passam a batata quente de mão em mão. Em uma passagem, o Presidente diz que não pode se pronunciar sobre o Batman, pois é assunto do governo estadual, o governador diz que o problema é municipal e o prefeito finalmente repassa a questão para a recém empossada chefe de polícia. Parece com uma cidade cosmopolita ao sul do equador? Sim.

Juntamente com Watchmen, o Cavaleiro das Trevas é um dos clássicos dos quadrinhos que surgiram na década de oitenta. Frank Miller criou uma estória para ser lida ao som de Mezzanine, mas não creio que o Massive Attack faça a trilha do filme que estreiará nos próximos meses. Aliás, o filme homônimo só é semelhante no nome. Uma pena... adoraria ver a cena em que Batman, já sessentão, dá uma surra no Superman.

Batman é realmente um personagem complexo e maldito. Sempre foi um de meus heróis prediletos, ao lado do Homem-Aranha. Humano, solitário, sem super-poderes, contando apenas com sua engenhosidade e força. Ele é mau, muito mau.

Watchmen é outra estória sombria. Num mundo decadente e a beira da terceira guerra mundial, vigilantes, banidos por lei, tentam combater o crime e desvendar o mistério que ronda a morte de seus colegas. Os vigilantes estão se tornando filme sob a batuta de Zach "300" Snyder. O precedente do diretor é bom. Vamos esperar e ver o resultado...

"Who watches the Watchmen?"

sábado, 19 de abril de 2008

Até Quando Esperar

"...Até quando esperar a plebe ajoelhar
esperando a ajuda de Deus."
Plebe Rude

Parece que as sete pragas do Egito atacam a minha cidade. O faraó, de dentro de sua pirâmide se isola e parece alheio a tudo que acontece à plebe.

Não somos escravos de ninguém e só queremos o que é nosso direito. Saúde, segurança, educação. É para isso que colocamos os governantes lá na prefeitura ou no Palácio da Guanabara. Mas o povo carioca não sabe escolher seus governantes ou seus representantes nas câmaras de vereadores e de deputados. É incrível como o Rio foi saqueado e destruído pelos últimos governantes e pelo prefeito que aí está. E o povo assiste a tudo em uma catarse coletiva. Por que não estamos nas ruas pedindo a renúncia desse imbecil que está sentado na cadeira de prefeito? Por que o povo carioca apanha calado e resignado com sua própria miséria?

A praga da dengue foi a gota d'água para aniquilar com a população. Já estamos sem segurança. Tentamos nos isolar em nossos condomínios dos assaltos e das balas perdidas. Mas o mosquito, não pára nas grades das janelas. Os hospitais lotados, os médicos sem recursos, os postos de saúde fechados nos fins de semana... E a população assiste pelo Jornal Nacional a contagem de mortos.

O ensino público na cidade vai de mal a pior. Nas favelas, as escolas vivem sob o jugo dos traficantes. Os professores ganham mal e não há recursos para investir em treinamentos e especialização. Os que trabalham em área de risco, o fazem mais por amor à profissão. E a população aceita quieta. "É assim mesmo, não dá para mudar."

Onde estão os jovens que pensam que modem mudar o mundo? Onde está o movimento estudantil? Onde estão os líderes comunitários? Por que não nos unimos todos em um só movimento? Houve um momento em que o mal foi combatido e milhares saíram às ruas para protestar, mesmo apanhando da polícia e dos militares. Hoje estamos acomodados, eu incluso, e sair para protestar cansa muito. É melhor reunir os amigos para um churrasco e uma cerveja.

"...As grades do condomínio são para trazer proteção,
mas também trazem a dúvida se é você que tá nessa prisão..."
O Rappa

quinta-feira, 13 de março de 2008

Eu e os Paralamas

Minha relação com a música começou aos 13 anos talvez. Até então eu não ligava muito para música. Então comecei a ouvir algo diferente no rádio. Uma música que me atingiu de forma diferente. E quando olhei para o lado, parecia que não estava sozinho, por que minha geração também curtia essa música.

Logo me identifiquei com os Paralamas do Sucesso. "Óculos" era minha música. Depois de uns 6 anos usando óculos, alguém cantava o que eu sentia. Essa e outras dos Paralamas fizeram parte da trilha sonora da minha adolescência. Um dos melhores períodos da minha vida. Então não há como ouvir os primeiros acordes de Leo Gandelman em "Ska" e deixar de lembrar daquele período. Já assisti a vários shows do Paralamas e em todos eu me sinto quase em transe quando ouço as músicas desse disco. Realmente me emociono.

"O Passo do Lui" é um disco fantástico. Foi um álbum que ajudou a definir um movimento. Que junto com alguns outros fundaram o Rock Brasil, ou BRock termo criado por Arthur Dapieve. É certamente o disco mais "Policeano" dos Paralamas. Aquela mistura de rock e reggae que o Police fez em seu segundo disco estão ali, junto com a new wave dos Talking Heads. Certamente foi uma evolução em relação ao "Cinema Mudo".

"Eu quis dizer - você não quis escutar" são versos que viraram clássicos. "Meu erro", "Fui Eu", "Mensagem de Amor" são músicas cujas letras mostram o excelente compositor que surgia ali. Herbert e Renato Russo foram os melhores de sua geração. Apesar de não ser um dos melhores vocalistas da época, sua voz se encaixa bem na produção do disco.

Depois de seguir mergulhar mais fundo no reggae em "Selvagem", os Paralamas lançaram um disco magistral. Para mim, o melhor disco lançado naquele ano (acho que foi 1987), "Bora Bora" é outro discaço dos Paralamas. Se o segundo disco é pura jovialidade, o quarto é pura maturidade. O álbum é de uma produção primorosa, com metais e teclados pegando fogo. A faixa-título, junto com "Bundalelê", é de incendiar qualquer platéia.

O lado b do vinil abria com "Uns Dias" um rock com muita guitarra e ritmo forte. Depois vinha uma balada, lindíssima, daquelas que só uma dor de corno pode fazer: "Quase um Segundo". Fui ao show de lançamento deste disco no Canecão e com Charlie Garcia no piano ao vivo foi de arrepiar.

"O Beco" tem ainda versos que ainda hoje continuam atuais. Uma crítica à letargia de uma camada da sociedade.

"...Mas nada atrapalha o meu sono pesado
Nada levanta aquele corpo jogado
Nada atrapalha aquele bar ali na esquina
Aquela fila de cinema
Nada mais me deixa chocado.."

segunda-feira, 3 de março de 2008

Tempo Rei

Estava na cadeira do dentista concentrado em manter a boca aberta enquanto ele tentava cantarolar uma música que tocava ao fundo. Então ele me diz: "Sabe, eu costumava decorar as letras de música mais fácil." Eu respondi: "Responda rápido, quantas vezes você parou para ouvir um disco inteiro e ler o encarte? Não vale dizer que foi no carro. Tem que ser em casa, de bobeira, sem ninguém te interromper. Diz aí, alguma vez nesse mês?" Ele não precisou responder, entendeu o meu recado.

Somos tão exigidos a fazer tanta coisa que não nos sobra tempo para ouvir música, de bobeira. Às vezes penso que somos equilibristas de pratos e sem perceber alguém nos joga mais um prato e colocamos mais um para girar. Tenho projetos pessoais que sei que só poderei executar quando me aposentar. Por mais que eu queira não daria para tocar agora, sem quebrar alguns dos que já estão girando. E alguns são valiosos demais para quebrar.

Tenho tantos planos para minha aposentadoria que me sinto cansado só de pensar. não sei como alguns colegas de trabalho ainda dizem que têm medo de se aposentar. Especialmente aqueles que estão prestes a fazê-lo. Há um medo de morrer sem fazer nada que me espanta, por que eu vejo que tenho tanto a fazer...

Minha pilha de livros continua crescendo e tomei a decisão de não comprar mais livros até ler os que já me esperam na estante. Minha capacidade de baixar música é muito maior do que a que tenho para gravá-las e ouví-las. Meus caros leitores, quando se ultrapassa os 30 é um caminho sem volta. Aproveito esse momento para ouvir um pouco de New Order e diminuir minha lista de pendências musicais. Mas já olho para o relógio do computador com o peso na consciência. Amanhã tenho que levantar cedo.

"Spent half my life in airports
doing crosswords or attempting to sleep,
and when the bar is open then you often find a warm in a sit..."
Hoodoo Gurus